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Pode dar carrinho no society?

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Dois painéis lado a lado. À esquerda, um jogador desliza pelo chão em direção à bola enquanto um adversário a disputa, sob o rótulo "é carrinho". À direita, o mesmo jogador desliza sozinho, sem ninguém por perto, sob o rótulo "não é carrinho".

Se você vem do futebol de campo, essa é provavelmente a primeira regra do society que vai te pegar de surpresa — e é a pergunta que mais aparece antes do primeiro jogo.

Pode dar carrinho no futebol society?

Não. Pela regra oficial da CBF7, o carrinho numa disputa de bola envolvendo outro jogador é infração técnica — e está na lista de situações em que o cartão amarelo é obrigatório.

Não é uma recomendação de etiqueta nem uma regra de arena: está no livro de regras do Fut7.

O que a regra considera carrinho

A definição da CBF7 é mais específica do que "se jogar no chão". O livro de regras descreve o carrinho como projetar-se de forma deslizante ao solo na disputa de bola com a participação de outro atleta na jogada.

Na parte sobre cartões, a mesma jogada é descrita com um detalhe a mais: lançar-se pelo solo com um ou os dois pés de maneira deslizante, estando o adversário de posse ou na disputa da bola. Um pé só já conta.

Repare nas duas partes: tem que haver o deslize, e tem que haver disputa com alguém. As duas juntas.

É por isso que a pergunta certa não é "posso escorregar?", e sim:

o adversário está conduzindo ou disputando a bola? Então não se jogue deslizando para tentar tirá-la dele.

O que não é carrinho

Aqui mora a confusão mais comum. Escorregar sozinho para alcançar uma bola que ia sair, deslizar para completar um cruzamento sem ninguém por perto, cair depois de um chute — nada disso é automaticamente infração. O que a regra mira é o deslize contra outro jogador na disputa.

Na prática, o árbitro está olhando para uma coisa: havia alguém do outro lado daquela bola?

Qual é a punição

É infração técnica, e a punição vem em camadas:

  • tiro livre para o adversário no local da infração — ou na marca de pênalti, se o carrinho foi cometido dentro da própria área de meta;
  • cartão amarelo obrigatório. Não é critério do árbitro: o carrinho está na lista das situações em que a regra determina o amarelo. E no Fut7 o amarelo tira o jogador de campo, que só volta após dois minutos cronometrados de bola em jogo;
  • cartão vermelho se o carrinho atingir o oponente com força excessiva, de forma temerária ou por trás;
  • toda infração técnica acumula individual e coletiva na súmula — e é a contagem coletiva que leva ao shoot out.

Ou seja, um carrinho mal dado custa a falta, dois minutos com um a menos, e ainda empurra o time para perto do shoot out. Se pegar mal, custa o jogo inteiro.

Por que a regra existe

O society é jogado num espaço bem menor que o campo — entre 45 e 55 metros de comprimento, contra os mais de 100 do futebol de onze. Essa e as outras diferenças estão nas principais regras do futebol society. Menos espaço significa mais situações de contato próximo e menos tempo para qualquer um dos dois reagir.

Some a isso o piso. A maior parte das arenas é de grama sintética, que não perdoa deslize como a grama natural molhada: a pele agarra em vez de escorregar, e o pé de quem está em pé encontra um corpo chegando na altura da canela.

A regra é menos sobre punir e mais sobre o fato de que, naquele espaço e naquele piso, o carrinho quase nunca termina bem.

E o goleiro?

O goleiro tem prerrogativas próprias dentro da área, mas elas não transformam um carrinho em jogada legal. Se ele sai deslizando numa disputa com o atacante fora do lance de defesa com as mãos, vale a mesma leitura das outras posições.

E na pelada?

Aqui a regra oficial encontra a vida real, e a vida real costuma ser mais curta:

"Não vale carrinho."

Boa parte das peladas resume tudo isso nessa frase, sem contagem de faltas, sem cartão e sem árbitro para aplicar nada. Funciona — desde que todo mundo entenda a mesma coisa por "carrinho". Em alguns grupos, do pescoço para baixo é tudo canela.

Duas perguntas antes de começar resolvem:

Pode carrinho? E, se a resposta for "não": o que conta como carrinho aqui?

Vale conferir também a regra da casa. Muitas arenas proíbem carrinho no regulamento próprio, independentemente do que a CBF7 diz, justamente para preservar o gramado sintético e evitar lesão entre desconhecidos.

Uma observação que quase ninguém faz: a caneleira é obrigatória pela CBF7, e tem que ficar coberta pela meia. Ela é a única coisa entre a sua canela e a trava de quem chegou deslizando.

Carrinho no campo, no society e no futsal

ModalidadeCarrinho na disputa
Futebol de campoPermitido, desde que o jogador alcance a bola primeiro e sem força excessiva
Futebol society (CBF7)Infração na disputa com outro atleta, e situação de cartão amarelo
FutsalTambém tratado como infração; a quadra e o espaço reduzido tornam a entrada ainda mais arriscada

É por isso que quem vem do campo é quem mais leva falta nos primeiros jogos: a jogada que lá é legítima, aqui não é.

O que levar disso

Se tem outro jogador na disputa, não deslize. Essa única frase cobre praticamente todas as situações em que a regra vai ser aplicada contra você — no jogo oficial e na pelada.

E, como quase tudo no society, confirme antes de começar: a regra oficial é uma coisa, a regra da sua arena pode ser outra.

Fontes

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