Caneleira é obrigatória no society?
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Quem está montando a primeira sacola para jogar society acaba nessa dúvida: a caneleira entra ou não entra? A resposta honesta é que depende de onde você vai jogar — e a diferença entre os dois casos é maior do que parece.
Caneleira é obrigatória no futebol society?
Em campeonato, sim: a regra da CBF7 é explícita, e jogar sem caneleira é infração. Na pelada de fim de semana, praticamente nenhuma arena cobra — a regra oficial não alcança a hora que você alugou.
As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. O que confunde é achar que existe uma resposta só.
O que a regra oficial diz
O Livro de Regras Oficiais do Fut7 trata do assunto na Regra 04, que define o uniforme dos atletas. O texto não deixa margem:
É OBRIGATÓRIO o uso de caneleiras, sendo que as mesmas deverão estar cobertas pelas meias, e devem ser confeccionadas em material apropriado que ofereça proteção ao jogador (plástico poliuretano ou material similar).
E não para na obrigatoriedade. A regra também determina que o atleta entre em campo com as meias levantadas cobrindo as caneleiras, e assim se mantenha durante toda a partida — não vale abaixar a meia no segundo tempo porque esquentou.
Há ainda uma restrição que pega muita gente de surpresa: não se pode usar atadura ou tornozeleira por fora da meia para segurar a caneleira, a menos que seja da mesma cor e não ofereça risco.
Quem toca na bola sem estar devidamente uniformizado comete infração pessoal, que fica registrada em súmula.
Então por que ninguém cobra na sua pelada?
Porque a CBF7 rege competição de Fut7, não a quadra que você alugou das 20h às 21h.
Quando o seu grupo divide a diária de uma arena, não há federação envolvida, não há súmula, e na maioria das vezes não há árbitro — ou seja, não existe nem quem confira. O que vale ali é o regulamento da casa, e o regulamento da casa costuma se preocupar com o horário, com o cuidado com o gramado e com brigas, não com o equipamento de quem joga.
É a mesma lógica que faz o lateral ser cobrado com o pé em muita arena, embora a regra oficial mande cobrar com a mão. Vale a pena conhecer as principais regras do futebol society justamente para saber onde a prática costuma se afastar do livro.
O que encontramos nas arenas
Em vez de supor, perguntamos. Consultamos três arenas de futebol society em Camboriú e Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e as três responderam a mesma coisa: caneleira é cobrada nos campeonatos que elas organizam, e não nas locações avulsas. Nenhuma delas impede alguém de entrar em campo sem caneleira numa pelada comum.
As três relataram ainda que essa é a prática comum do setor — informação que só quem toca uma arena tem. Vale a ressalva honesta: três casas numa mesma região não falam pelo Brasil inteiro. Se a sua arena for exceção, é o regulamento dela que vale, e uma pergunta na recepção resolve.
Ou seja: a divisão não é entre "regra rígida" e "bagunça". É entre jogo organizado por alguém — que responde por lesão, tem árbitro e tem súmula — e jogo entre amigos, onde cada um cuida de si.
Resumo
| Campeonato ou torneio | Pelada e locação avulsa | |
|---|---|---|
| Caneleira | Obrigatória | Praticamente nunca exigida |
| Quem cobra | Árbitro, com registro em súmula | Ninguém |
| Coberta pela meia | Exigido durante toda a partida | Fica a critério de cada um |
| Se jogar sem | Infração pessoal ao tocar na bola | Sem consequência de regra |
Vale usar mesmo quando não é exigido?
Aqui a resposta deixa de ser sobre regra e passa a ser sua.
O que a caneleira protege é a tíbia — o osso da canela, que não tem músculo nenhum por cima. É por isso que uma pancada ali dói de um jeito desproporcional ao tamanho do choque, e é por isso que ela é o único equipamento de proteção que o futebol tornou obrigatório em competição.
E o society tem duas características que aumentam a chance de levar essa pancada: o espaço é bem menor que o de um campo, então há mais contato próximo, e o piso costuma ser sintético, que perdoa menos deslize que a grama molhada. A jogada que mais encontra canela é justamente o carrinho — vale saber o que a regra considera carrinho e o que não considera, porque na pelada sem árbitro a única proteção contra ele é o combinado do grupo e o que você estiver vestindo.
O argumento do outro lado é real e vale reconhecer: caneleira incomoda, esquenta, escorrega, e a maioria das pessoas na pelada não usa. Se você joga com o mesmo grupo há anos, num ritmo tranquilo, o risco é baixo.
A conta muda quando o jogo é com desconhecidos, quando entra gente muito mais nova ou mais competitiva, ou quando é aquele racha que costuma esquentar no fim. Nessas, é um dos itens mais baratos da sacola protegendo o osso que te deixa três semanas fora.
Se o que te afasta da caneleira é o incômodo, e não o preço, o caminho costuma ser o modelo pequeno com porta-caneleira — a peça elástica que segura a proteção no lugar e resolve o problema de escorregar durante o jogo, que é a reclamação número um de quem desistiu de usar. É honesto dizer que a pequena protege menos que a inteira: ela cobre um pedaço menor da canela. Protege mais que nada, e é a que as pessoas de fato mantêm no pé. Se for por esse caminho, o kit de caneleira pequena com porta-caneleira da Profix cobre os dois itens de uma vez — ver no Mercado Livre.
Se você vai jogar campeonato
Três detalhes da regra que reprovam gente na entrada do campo:
- coberta pela meia, do início ao fim da partida;
- material apropriado — plástico poliuretano ou similar, não improviso;
- sem atadura ou tornozeleira por fora da meia para prender, salvo se for da mesma cor e sem risco.
Uma caneleira tradicional de tamanho único resolve os três sem pensar: cobre a tíbia inteira, entra embaixo da meia e é feita do material que a regra descreve. A Penalty Matis X adulto é o modelo desse feitio que costuma aparecer na sacola de quem joga toda semana — ver no Mercado Livre.
Vale conferir também o regulamento específico da competição, que pode acrescentar exigências próprias.
E se a caneleira cair no meio do jogo?
O regulamento previu isso, e a resposta costuma surpreender:
Se um jogador perder o calçado ou uma caneleira em uma disputa de bola ou acidentalmente, deve recompor o equipamento logo que possível e, o mais tardar, na primeira paralisação do jogo, se antes de fazê-lo, jogar a bola e/ou marcar um gol, o gol é válido.
Ou seja: perdeu a caneleira, seguiu a jogada e marcou — o gol conta. O que ele precisa fazer é recompor o equipamento na primeira parada.
O que levar disso
Vai jogar campeonato? Leve caneleira, e leve meia que a cubra por inteiro.
Vai jogar a pelada de quinta? Ninguém vai te barrar sem ela. A decisão passa a ser sobre com quem você joga e quanto risco aquele grupo costuma oferecer — e não sobre o que a regra exige.
E, como quase tudo no society, a regra oficial é uma coisa e a regra da sua arena pode ser outra. Perguntar antes continua sendo o atalho mais curto.